Oscar Internacional: "Ainda Estou Aqui" inaugura uma nova era para o cinema brasileiro
"Ainda Estou Aqui" inaugura uma nova era para o cinema brasileiro com uma vitória histórica que celebra a força e a identidade do nosso povo.
No último domingo (2), o cinema do Brasil celebrou uma conquista inédita. Sob a direção de Walter Salles, o longa “Ainda Estou Aqui” foi agraciado com o Oscar de Filme Internacional, colocando o país no mapa mundial de forma irreversível.
Em meio a uma disputa acirrada com obras estrangeiras, a produção nacional se destacou de maneira surpreendente. Enquanto filmes oriundos de países como Dinamarca, Alemanha, Letônia e França disputavam a estatueta, o filme brasileiro emergiu como a escolha do júri, demonstrando que a criatividade e a força cultural do Brasil encontram ressonância além de suas fronteiras.
A narrativa, que também concorre na categoria de Melhor Atriz com Fernanda Torres, tem suas raízes em fatos reais. Inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme conta a história de Eunice Paiva, cuja incansável luta para ver reconhecida a memória de seu marido, Rubens Paiva, remonta aos conturbados anos 1970 – um período marcado pela repressão e violências do regime militar.
Essa conquista representa não apenas a quinta tentativa do país em obter o prêmio – anteriormente sob o nome de Filme em Língua Estrangeira –, mas também o fechamento de um ciclo que começou há décadas, com clássicos como "Central do Brasil", que já haviam elevado o nome do cinema nacional a patamares internacionais.
Nos bastidores, a equipe de “Ainda Estou Aqui” enfrentou diversos desafios, desde recursos financeiros limitados até as complexidades técnicas da produção, mas a paixão e o compromisso com a história contada foram determinantes para o sucesso. Essa dedicação se refletiu também nas bilheterias, com a obra ultrapassando a marca de R$ 100 milhões em arrecadação mundial e encantando mais de 5 milhões de espectadores só no território brasileiro – um feito sem precedentes no período pós-pandêmico.
Fernanda Torres, emocionada com o reconhecimento, ressaltou:
“Ver nossa cultura ganhar voz em um palco global é uma vitória que transcende o cinema. Cada obstáculo superado nessa jornada reforça a importância de contar histórias que fazem parte da nossa identidade.”
A atriz ainda demonstrou entusiasmo com futuras oportunidades que tragam novas interpretações para clássicos do cinema, expressando seu desejo de colaborar em projetos inovadores que reinventem narrativas consagradas.
Durante a cerimônia, Walter Salles destacou a relevância de preservar a memória daqueles que lutaram por justiça e verdade. “Nossa missão vai além das telas – é manter viva a história de pessoas que, mesmo diante da adversidade, deixaram um legado inspirador. O filme dialoga com questões sociais e políticas que ainda ecoam na nossa sociedade”, afirmou o diretor.
Ao encerrar a noite, o Oscar não só validou o talento dos cineastas brasileiros, como também reafirmou o potencial do país para contar histórias que tocam profundamente o coração do público em qualquer parte do mundo.
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